Naquele mesmo dia, os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele com a seguinte questão:
Mestre, Moisés disse que se um homem morrer sem deixar filhos, seu irmão deverá casar-se com a viúva e dar-lhe descendência.
Entre nós havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu. Como não teve filhos, deixou a mulher para seu irmão.
A mesma coisa aconteceu com o segundo, com o terceiro, até o sétimo.
Finalmente, depois de todos, morreu a mulher.
Pois bem, na ressurreição, de qual dos sete ela será esposa, visto que todos foram casados com ela? "
Jesus respondeu: "Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!
Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em casamento; mas são como os anjos no céu.
E quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram o que Deus lhes disse:
Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos!
Ouvindo isso, a multidão ficou admirada com o seu ensino (Mateus, 22.23-33).
Os saduceus eram uma seita religiosa e política do período do segundo templo, atraídos principalmente pelos elementos aristocráticos e sacerdotais dominantes da sociedade judaica. O partido dos saduceus controlava o culto no templo, e muitos de seus membros pertenciam também ao Supremo Conselho Judaico, o Sinédrio (At.23.6).
Os saduceus eram os liberais da época. Não criam no sobrenatural. Externamente demonstravam obediência à lei de Deus, mas na prática negavam os seus ensinamentos. Rejeitavam as doutrinas da ressurreição, dos anjos, dos milagres, da imortalidade da alma e do juízo vindouro. Tinham uma vida mundana e moralmente relaxada. Eles, também, perseguiam a Jesus Cristo (Mt.16.1-6).
ORIGEM DOS SADUCEUS.
A origem dos saduceus é incerta, mas é possível ligá-los aos macabeus. Eles teriam surgidos após a rebelião dos macabeus, e durante a tentativa nacional dos asmoneus de tornarem-se livres dos sírios. Duas explicações para a origem dos saduceus ligam o nome da seita a duas figuras históricas distintas, porém ambas chamadas Zadoque: (1) O termo "saduceus" pode ser derivado de Zadoque, sumo sacerdote nos dias de Davi e Salomão (2 Sm.8.17; 1 Rs.1.34). Na visão da restauração, de Ezequiel, é confiada aos descendentes desse Zadoque a supervisão da adoração no templo (Ez.40.46; 43.19; 44.15). Na realidade, os descendentes de Zadoque constituíam a hieraquia do templo até o século II a.C. (2) De acordo com a tradição rabínica, entretanto, a seita dos saduceus foi fundada por um discípulo de Antígono de Zoko, também chamado Zadoque. Epifânio, em sua obra Heresies, afirma que o nome "saduceus" deriva do termo hebraico sadiq (ou justo). Uma visão mais provável é que “saduceus” deriva de Zadoque, que tornou-se pai dos saduceus.
A CRENÇA DOS SADUCEUS.
Os saduceus negavam os livros poéticos e proféticos e privilegiavam o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Acreditavam unicamente nos escritos por Moisés.
Os saduceus não rejeitavam difinitivamente os livros proféticos, mas eram reticentes em empregá-los. Estavam interessados na salvação atual da nação, desprezando a ideia de uma retribuição futura individual e coletiva no mundo porvir. Negavam a ressurreição dos mortos e a existência dos anjos (Mt 22.23-33; Mc 12.18; Lc 20.27; At.4.1,2; 23.6-8).
Com tais doutrinas, eles tendiam para uma postura deísta, que via Deus como um grande Criador, que transmitira suas leis aos homens, mas depois praticamente havia perdido o interesse pelo mundo. Portanto, os saduceus se achavam predispostos a rejeitar todas as afirmações de Jesus Cristo de que era Deus. Como Deus raramente se preocupava com a terra, era pouco provável que se desse ao trabalho de mandar seu Filho para cá.
PODER E INIMIZADE DOS SADUCEUS.
Os principais oponentes dos saduceus eram os fariseus. Eram partidários de uma estrita aplicação da lei de talião ou “lex talionis” (Êx 21.23; Dt 19.21). Os saduceus insistiam em um cumprimento mais literal da lei, enquanto os fariseus eram mais moderados.
Eram duros e arrogantes com os “pequenos”. Não tinham influência sobre o povo. Assim como todo o partido no poder, não resistiam à tentação de utilizar a religião em seu favor. Poder, corrupção e tradição judaica eram por eles articulados para a manutenção dos cargos e privilégios dos quais eram detentores.
Os adeptos dessa seita eram em pequeno número, mas era composta de pessoas da mais alta condição. Quase sempre, nada se faz segundo o seu parecer, porque quando eles são elevados aos cargos e às honras, muitas vezes contra a própria vontade, são obrigados a se conformar com o proceder dos fariseus, pois o povo não permitiria qualquer oposição a estes.
Os saduceus também eram inimigos de Jesus, além de se oporem aos ensinamentos de Jesus, eles também não acreditavam ser Ele o Filho de Deus. O ponto central do conflito deles com Jesus parece ter sido a mobilização das multidões que o seguiam. Temiam uma represália de Roma, com a matança de judeus em massa, caso as multidões reunidas em torno de Jesus fossem tidas como uma ameaça ou tentativa de revolta (como veio a acontecer em 70. D.C.).
Para a frustração do sumo sacerdote e dos saduceus, após a morte e ressurreição de Jesus, os seus seguidores aumentaram mais ainda. Além disso, foi a propagação da doutrina e da realidade da ressurreição que os saduceus rejeitavam, que lhes causaram os maiores transtornos.
Os saduceus foram extintos e a sua influência cessou com a destruição do templo, em 70 d.C., que levou o judaímos pós-bíblico a se desenvolver conforme a ideologia farisaica.
Fonte:
Bíblia de Estudo Pentecostal, nota de rodapé p.1389.
Bíblia de Estudo Arqueológica, notas históricas e culturais p.1600.
A Sã Doutrina: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, p. 313-315.
CURIOSIDADE.
A palavra Saduceus aparece exatamente 14 vezes no Novo Testamento (na maioria das traduções, como Almeida Revista e Corrigida e NVI). O termo se refere a um grupo religioso e político de elite da época de Jesus que não acreditava na ressurreição.
No Evangelho de Mateus 7 vezes:
1) Mateus 3:7
2) Mateus 16:1
3) Mateus 16:6
4) Mateus 16:11
5) Mateus 16:12 (NVI).
6) Mateus 22:23
7) Mateus 22:34
No Evangelho de Marcos 1 vez:
1) Marcos 12:18
No Evangelho de Lucas 1 vez:
1) Lucas 20:27
No livro de Atos dos Apóstolos 5 vezes:
1) Atos 4:1
2) Atos 5:17
3) Atos 23:6
4) Atos 23:7
5) Atos 23:8
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