E levantou Jacó os olhos e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele.
Então, repartiu os filhos entre Leia, e Raquel, e as duas servas.
E pôs as servas e seus filhos na frente e a Leia e a seus filhos, atrás; porém a Raquel e José, os derradeiros.
E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão.
Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram (Gn.33.1-4).
A reconciliação de Jacó com Esaú é uma das mais embremáticas na história bíblica. O motivo pelo qual gerou uma grande rivalidade entre Jacó e Esaú, foi quando Jacó comprou a primogenitura de Esaú e, posteriormente, enganou seu pai Isaque para receber a bênção destinada ao primogênito Esaú, gerando um forte desejo de vingança no seu irmão que pretendia matar Jacó (Gn.27.41).
Jacó e Esaú permaneceram separados por 20 anos. A separação ocorreu após Jacó obter fraudulentamente a bênção de seu pai Isaque. Orientado por sua mãe Rebeca, Jacó é forçando a fugir para a terra de Harã. Após duas décadas trabalhando para seu tio Labão, ele decidiu encontrar-se com seu irmão Esaú e finalmente se reconciliaram.
QUATRO ATITUDES DE JACÓ PARA APLACAR A IRA DE ESAÚ:
A disposição de Esaú de se reconciliar com Jacó é impressionante. Quando Jacó partiu para Harã, Esaú estava planejando matá-lo (Gn.27.41). Agora, deseja fazer todo o possível para ajudar seu irmão. As atitudes de Jacó podem ter contribuído, mas não teria feito nenhuma diferença se Esaú não estivesse disposto a perdoar.
1) CHAMOU ESAÚ DE MEU SENHOR.
E enviou Jacó mensageiros diante da sua face a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom.
E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esaú: Assim diz Jacó, teu servo: Como peregrino morei com Labão e me detive lá até agora.
E tenho bois, e jumentos, e ovelhas, e servos, e servas; e enviei para o anunciar a meu senhor, para que ache graça a teus olhos (Gn.32.3-5).
Depois de resolver a situação entre ele e Labão, Jacó teve que se preparar para outro problema, desta vez, com seu irmão Esaú, que estava vivendo na terra de Seir, território de Edom (32.3). No caso de Labão, Jacó havia sido a parte ofendida, mas com relação a Esaú, ele havia sido o ofensor. Havia tomado para si a bênção de Esaú e fugido. Imaginando que Esaú provavelmente ainda guardava rancor dele, Jacó tomou algumas precauções. Jacó não se apresentou com atitude de grandeza, mas como alguém numa posição de fraqueza, buscando o favor de Esaú. Ele enviou mensageiros adiante de si a Esaú, referindo-se a ele como senhor e a si mesmo como teu servo Jacó (Gn.32.3-5). A única coisa que pedia de Esaú era mercê à sua presença. Na verdade a profecia de Isaque é que Jacó seria senhor dos seus irmãos, tendo domínio sobre eles (Gn.27.29); todavia Jacó abriu mão deste direito para ter paz com seu irmão Esaú.
2) CLAMOU AO SENHOR EM ORAÇÃO.
E os mensageiros tornaram a Jacó, dizendo: Fomos a teu irmão Esaú; e também ele vem a encontrar-te, e quatrocentos varões com ele.
Então, Jacó temeu muito e angustiou-se; e repartiu em dois bandos o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos.
Porque dizia: Se Esaú vier a um bando e o ferir, o outro bando escapará.
Disse mais Jacó: Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela, e far-te-ei bem; menor sou eu que todas as beneficências e que toda a fidelidade que tiveste com teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão e, agora, me tornei em dois bandos.
Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque o temo, para que porventura não venha e me fira e a mãe com os filhos.
E tu o disseste: Certamente te farei bem e farei a tua semente como a areia do mar, que, pela multidão, não se pode contar (Gn.32:6-12).
Quando os mensageiros anunciaram a Jacó que Esaú vinha ao seu encontro com 400 homens, ele temeu muito e ficou angustiado. Jacó estava em desvantagem, ele queria paz e foi buscar ao SENHOR em oração.
3) ENVIOU-LHE PRESENTES.
E passou ali aquela noite; e tomou, do que lhe veio à sua mão, um presente para seu irmão Esaú:
Duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentas e dez jumentinhos.
E deu-o na mão dos seus servos, cada rebanho à parte, e disse a seus servos: Passai adiante da minha face e ponde espaço entre rebanho e rebanho.
E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar e te perguntar, dizendo: De quem és, para onde vais, de quem são estes diante da tua face?
Então, dirás: São de teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor, a Esaú; e eis que ele mesmo vem também atrás de nós.
E ordenou também ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atrás dos rebanhos, dizendo: Conforme esta mesma palavra, falareis a Esaú, quando o achardes.
E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia: Eu o aplacarei com o presente que vai diante de mim e, depois, verei a sua face; porventura aceitará a minha face.
Assim, passou o presente diante da sua face; ele, porém, passou aquela noite no arraial (Gn.32:13-21).
Jacó tentou apaziguar a ira do seu irmão com presentes, mas de nada adianta os presentes se o coração de Esaú não estivesse disposto a perdoar.
4) CURVOU-SE ATÉ O CHÃO SETE VEZES AO APROXIMAR-SE DO SEU IRMÃO.
Após o Encontro com Deus na noite anterior, Jacó havia lutado com o anjo e tendo sido transformado por Deus em Peniel, onde seu quadril foi deslocado e seu nome mudou para Israel. Ele sai daquela noite mancando. A caminhada de Jacó em direção a Esaú mancando e inclinando-se sete vezes é a imagem perfeita de um homem que foi quebrado pelo próprio Deus. Sua arrogância e esperteza deram lugar à dependência e humildade.
Ao aproximar-se de seu irmão, prostou-se à terra sete vezes (Gn.33.3). Essa atitude era a saudação tradicional para os reis. Jacó estava reconhecendo Esaú como seu senhor.
Anos antes, ao roubar a bênção da primogenitura, o pai deles, Isaque, havia profetizado para Jacó: "Seja senhor de seus irmãos, e curvem-se diante de ti os filhos de tua mãe" (Gn.27:29).
Ao se aproximar de Esaú se curvando sete vezes, Jacó está visualmente dizendo: "Eu não vim para reivindicar o domínio físico sobre você. Eu abro mão do status político da bênção para ter paz". É uma estratégia de pacificação para desarmar o exército de 400 homens que vinha com Esaú.
A resposta de Esaú mostra o sucesso dos gestos e atitudes de humildade de Jacó. Em vez de atacar, Esaú corre ao encontro de Jacó, abraça-o, lança-se ao seu pescoço e o beija; e ambos choram (Gn.33:4). Aqui nós aprendemos que, toda ira é removida quando há disposição para perdoar.
Não temos dúvida de que a mão de Deus moveu-se entre os dois irmãos. Certamente o Altíssimo já estava trabalhando nos sentimentos de Esaú, que, ao ver seu irmão vindo ao seu encontro com humildade, inclinando-se ao chão sete vezes, toda a sua ira, mágoa ou resentimento contra Jacó não tiveram mais lugar.
Somente Deus poderia promover tão grande reconciliação, pois, segundo afirma o escritor de Provérbios: "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio" (Pv.18.19). Mas para Deus, nada é impossível. Amém!